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17 novembro 2009

obrigada Clarice!

NÃO ENTENDER 
Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.

Clarice Lispector

22 setembro 2009

embasbacada





Sagração da Primavera, Pina Bausch,
Tanztheater Wuppertal.



Umas das coisas mais bonitas que já vi. Lindo, de não consigo descrever.

Só corpo, forma, o mais primitivo, que agora com a técnica mais apurada passa a existir de novo. E é assim, e existe: resumo de movimento, de vida, de gozo.


Puro gozo em imagem. Imagem que não é

pura – por isso o gozo – movimento, respiração, historia, individualidade, esforço, paixão, paixões e todo a rede complexa de trabalho e prazer que as envolve e estimula.


Muita coisa no mais simples que temos: corpo. Braços, pernas, cabelo, junto com tudo o que você pode contar e ser entendido sem ter que abrir a boca nenhuma vez. O corpo deles é o corpo meu. Não tenho a capacidade, mas. Mas é o mesmo corpo. Somos nós ali.

Humano humano, humano humano.


26 agosto 2009

caraminholas à revelia, e por vontade própria

mundo corre.
à nossa revelia, o mundo corre.

mas porém:
é o desejo que faz a vida. Não apenas a gente nasce do sexo, mas também por toda a vida nos sentimos vivos quando desejamos. O desejo impulsiona o movimento, e o desejo é a pórpria energia, ele é em si o próprio movimento.

então o mundo só existe a partir da nossa vontade, de cada um e de todos juntos.
a vida e o mundo são feitos da energia dos desejos.

ah...
é o desejo que existe à nossa revelia.

e benza-deus, que bom!!!

11 maio 2009

Saudade segundo Ana

Desde sempre eu sou só saudade.
Um desconjunto,
despés no chão
desmão que apalpa
destato,
um destrato.
intrínseco e inato
desde que nasce este minuto.
(01/05/2009)


ATOS

De vez em quando a saudade é aquela. Tanta, que nem sei se existe a pessoa de que sinto falta.
Se já existiu.
Parece.
Mas sei que só parece. Apenas.
Parece muito.
É invenção?
Parece tanto.
Parece.
Que. Será que não é mesmo ele?
(09/03/2009)


ENCONTRO CLÁSSICO NO SALÃO

eu saúdo
tu saúdas
nós saudade
(28/02/2009)

(d'O galo da vizinha, aí à direita, da Ana Khel)

01 fevereiro 2009