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09 junho 2011

Estupro Internacional

(Falando no ocidente...)

Strauss-Kahn: uma metáfora das práticas do FMI



por Leonardo Boff*

Strauss-Kahn.

O leitor ou leitora pensará que foi uma tragédia o fato de o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Strauss-Kahn, ter dado asas ao seu vício, a obsessiva busca por sexo perverso, nu, correndo atrás de uma camareira negra na suíte 2806 do hotel Sofitel em Nova York, até agarrá-la e forçá-la a praticar sexo, com detalhes descritos pela Promotoria de Nova York e que, por decência, me dispenso de dizer. Para ele não era uma tragédia. Era uma vítima a mais, entre outras, que fez pelo mundo afora. Vestiu-se e foi direto para o aeroporto. O cômico foi que, imbecil, esqueceu o celular na suíte e assim pôde ser preso pela polícia ainda dentro do avião.

A tragédia ocorreu não com ele, mas com a vítima que ninguém se interessa em saber. Seu nome é Nifissatou Diallo, da Guiné, africana, muçulmana, viúva e mãe de uma filha de 15 anos. A polícia encontrou-a escondida atrás de um armário, chorando e vomitando, traumatizada pela violência que sofreu por parte do hóspede da suíte, cujo nome sequer sabia. A maior parte da imprensa francesa, com cinismo e indisfarçável machismo, procurou esconder o fato, alegando até uma possível armadilha contra o futuro candidato socialista à Presidência da República. O ex-ministro da Cultura e Educação, Jacques Lang, de quem se poderia esperar algum esprit de finesse, com desprezo, afirmou: “Afinal não morreu ninguém”. Que deixe uma mulher psicologicamente destruída pela brutalidade de Mr. Strauss-Kahn não conta muito. Finalmente, para essa gente, se trata apenas de uma mulher e africana. Mulher conta alguma coisa para este tipo de mentalidade atrasada, senão para ser mero “objeto de cama e mesa”?

Para sermos justos, temos que ver este fato a partir do olhar da vítima. Aí dimensionamos seu sofrimento e a humilhação de tantas mulheres no mundo que são sequestradas, violadas e vendidas como escravas do sexo. Só uma sociedade que perdeu todo o sentido de dignidade, e se brutalizou pela predominância de uma concepção materialista de vida que faz tudo ser objeto e mercadoria, pode possibilitar tal prática. Hoje, tudo virou mercadoria e ocasião de ganho desde o bens comuns da humanidade, privatizados (commons como água, solos, sementes), até órgãos humanos, crianças e mulheres prostituídas. Se Marx visse essa situação ficaria seguramente escandalizado, pois para ele o capital vive da exploração da força de trabalho, mas não da venda de vidas. No entanto, já em 1847, na Miséria da Filosofia, intuía: “Chegou, enfim, um tempo em que tudo o que os homens haviam considerado inalienável se tornou objeto de troca, de tráfico e podia alienar-se. O tempo em que as próprias coisas que até então eram comunicadas, mas jamais trocadas, dadas, mas jamais vendidas: adquiridas mas jamais compradas como a virtude, o amor, a opinião, a ciência e a consciência, em que tudo passou para o comércio. Reina o tempo da corrupção geral e da venalidade universal… em que tudo é levado ao mercado”.

Strauss-Kahn é uma metáfora do atual sistema neoliberal. Suga o sangue dos países em crise como a Islândia, a Irlanda, a Grécia, Portugal e agora a Espanha, como fizera antes com o Brasil e os países da América Latina e da Ásia. Para salvar os bancos e obrigar a saldar as dívidas, arrasam a sociedade, desempregam, privatizam bens públicos, diminuem salários, aumentam os anos para as aposentadorias, fazem trabalhar mais horas. Só por causa do capital. O articulador destas políticas mundiais, entre outros, é o FMI, do qual Strauss-Kahn era a figura central.

O que ele fez com Nafissatou Diallo é uma metáfora daquilo que estava fazendo com os países em dificuldades financeiras. Mereceria cadeia não só pela violência sexual contra a camareira, mas muito mais pelo estupro econômico do povo, que ele articulava a partir do FMI. Estamos desolados.

* Leonardo Boff é teólogo, filósofo e escritor.

** Publicado originalmente no site Adital.

11 fevereiro 2011

Museu de Mim

Mudar de casa é ir de encontro ao futuro desconhecido e, ao mesmo tempo, dar de cara com o passado guardado nas caixas, mofado, nas letras borradas das cartas que guardo há anos e anos e anos. É me encontrar nas coisas que nunca consegui jogar fora. É me desfazer de pedaços de mim que vão deixando de fazer sentido, deixando de me acompanhar. É começar do zero, mas com caixas e caixas de passado lacrado ali, e que não jogo fora nem a pau. Que nem olho, nem preciso, mas sei que estão ali. Me segurando. Me formando. Desapegar é tarefa árdua porque é abrir mão do que a gente já não é mas quer continuar sendo - porque é seguro, afinal de contas. Minhas fotos, meus 57 caderninhos com escritos de todas as fases da minha vida, as cartas que mandaram para mim desde meus 0 anos de idade, os ingressos das peças e shows mais marcantes, os bilhetes das viagens tantas, os presentes de todos os ex namorados, as cartas de amor, as pessoas que fizeram parte e que hoje eu nem sei onde vivem, os objetos que fui acumulando, as coleções de isqueiros que não funcionam, de fitas de cetim, de roupas de bolinha, os figurinos, as roupas que não servem, os sapatos fodidos - ufa - toneladas de passado. Passado pesado! Carrego tudo como se um dia fosse fazer um museu de mim mesma. Como se fosse um atestado de: "Ó, vivi", ou, "Ó, não passei a vida em branco" - os documentos comprovam que viajei, que amei, que trabalhei e estudei. Coisa maluca essa de mudar. E essa de não querer largar o osso. Isso é neurose séria que tem que ser tratada com muita terapia. Apego à matéria.
E se eu jogasse tudo isso fora?
Continuaria sendo a mesma sofia?
E se tudo isso que cultivei por anos e anos e que me dei ao trabalho de guardar e transportar e cuidar bem - isso tudo fosse pro lixo? Sobreviveria, eu?
Penso que minha casa nova merece uma nova eu. Livre desses mofos. Livre do passado. Da que fui. Mas me conheço o suficiente pra saber que não tenho coragem de jogar o passado no lixo.

Por Sofia Botelho, aqui.

Pequenas Igrejas, Grandes Negócios

Folha de São Paulo...

Eu, Claudio Angelo, editor de Ciência da Folha, e Rafael Garcia, repórter do jornal, decidimos abrir uma igreja.
Com o auxílio técnico do departamento Jurídico da Folha e do escritório Rodrigues Barbosa, Mac Dowell de Figueiredo Gasparian Advogados, fizemo-lo. Precisamos apenas de R$ 418,42 em taxas e emolumentos e de cinco dias úteis (não consecutivos) . É tudo muito simples.
Não existem requisitos teológicos ou doutrinários para criar um culto religioso. Tampouco se exige número mínimo de fiéis.

Com o registro da Igreja Heliocêntrica do Sagrado Evangélio e seu CNPJ, pudemos abrir uma conta bancária na qual realizamos aplicações financeiras isentas de IR e IOF. Mas esses não são os únicos benefícios fiscais da empreitada. Nos termos do artigo 150 da Constituição, templos de qualquer culto são imunes a todos os impostos que incidam sobre o patrimônio, a renda ou os serviços relacionados com suas finalidades essenciais, as quais são definidas pelos próprios criadores. Ou seja, se levássemos a coisa adiante, poderíamos nos livrar de IPVA, IPTU, ISS, ITR e vários outros "Is" de bens colocados em nome da igreja.
Há também vantagens extratributárias. Os templos são livres para se organizarem como bem entenderem, o que inclui escolher seus sacerdotes. Uma vez ungidos, eles adquirem privilégios como a isenção do serviço militar obrigatório (já sagrei meus filhos Ian e David ministros religiosos) e direito a prisão especial.

11 novembro 2010

Proposta de Quebra de Barreiras


Eu ainda não vi nenhuma repercusão sobre isso no Blog, então vai:

“Ser mulher é muito caro”

O cartunista Laerte, que passou a se vestir de mulher, diz que suas despesas agora incluem manicure, depilação, lingeries e sapato


Confira o ensaio IG e a matéria toda AQUI

05 novembro 2010

Continuidade e Manifestação

O propósito inicial desta postagem seria sobre uma notícia que circulou aqui em Portugal, um tanto bizarra, em que milhões - eu disse MILHÕES - de dólares falsos foram apreendidos no Porto. Até aí uma notícia cotidiana, qualquerumzainha, senão fosse pelo fato das notas de 100 dólares apresentarem o rosto de Pinto da Costa, presidente atual do Futebol Clube do Porto, ao invés da famigerada cara verde de Benjamin Franklin.
Passado o momento, pus-me a ler sobre os acontecimentos acerca da obra de Nuno Ramos e comecei a questionar-me sobre a integridade deste blog.

Afinal, o que fazemos nós aqui?
Imagino que cada um tenha contribuição importante para a formação e "alma" do Mundo à Revelia; a vitalidade deste espaço depende das experiências individuais e suas personalidades são expostas em cada uma das entradas. Questiono-me, entretanto, até que ponto a sobreposição de "momentos únicos" e conhecimentos particulares interfere na conversa e na fluidez de uma discussão.

Eu mesmo estava à beira de uma exposição completamente descontextualizada. De fato não moro em São Paulo, por certo não estou à par das notícias sobre a Bienal, mas que desculpa tenho eu (temos nós) de sobrepor um argumento ao outro?

O que quero dizer, em linhas curtas - é difícil ser sintético - é que por vezes atropelamo-nos uns aos outros para expormos coisas "legais", que em si só tem uma função de entretenimento ou reflexão sobre aquele argumento, e quanto ao resto? Bem o resto está lá.

Essa notícia do Nuno Ramos realmente me chocou. Devo ser honesto e parcial: estou do lado do artista. A obra de Nuno Ramos é por si um excelente questionamento a toda a esta repressão do cotidiano urbano e do nosso papel. Sem dúvida possui um caráter ideológico muito intenso e propositalmente provocativo.

Mexer com a vida em nome da arte é algo muito complicado. Sinceramente não vejo nenhuma infração ao matar os três urubus e acho uma hipocrisia quando um carnívoro descontrolado (como a maioria de nós) reclama pela vida do "passarinho" quando depredamos um boi sem ao mesmo ver a cara do animal nas embalagens do supermercado.

Matamos muitos "urubus" cotidianos, dos quais nenhum nos comove profundamente, mas quando enfrentamos cara-a-cara e somos postos ao questionamento - como no caso da obra da Bienal - ai sim (com o perdão do trocadilho) o bicho pega!

A obra - e toda a sua discussão - ficou reduzida ao nada: ao direito dos três urubus em cativeiro. Mas e nós, os verdadeiros urubus em cativeiro? Por que ao invés de irmos lá e picharmos sobre um naco de madeira "liberte os urubus", não nos pomos a pensar o conceito de "aprisionamento urbano"? Por que, a partir de uma obra tão profunda nós simplesmente nos esquivamos do fato de estarmos todos fadados a uma estrutura social escrota e pedimos liberdade aos animaizinhos lá deixados?

Pixar na bienal é um ato-em-si. Pixei, rompi, causei. É quase como se houvesse um lugar para os transgessores dentro do aparato estatal.

E nós, Revelia, quando é vamos criar um fluxo de idéias - um aprofundamento nas discussões? Estou cansado de tanta coisa bonita.

29 setembro 2010

Preconceito Lingüístico: Brasileiro não sabe português. Só em Portugal se fala bem português

As línguas são diferentes. Elas sofrem variações diacrônicas (conforme a época), diatópicas (conforme o lugar), diastráticas (conforme a classe social ou especialização dos falantes) e ainda conforme a situação (formal ou informal).

Apesar de tudo isso, se a língua estabelecer um canal de comunicação entre os falantes, ela já desempenhou o seu papel. E eu até poderia terminar esse texto por aqui.

Mas eu preciso dizer que, a mania quase doentia que o brasileiro tem de se diminuir perante o resto do mundo, dá origem a mais esse mito sobre a língua. Só em Portugal se fala português corretamente.

Meus amigos, nós somos sim uma antiga colônia de Portugal, mas um abismo lingüístico de 500 anos de evolução e quase um século de independência separa nossas línguas.

Diante disso, eu pergunto: por que as pessoas ainda insistem em dizer que os portugueses são os verdadeiros “donos” da língua? Por que uma língua independente, com sua própria gramática e regras, como o português brasileiro, continua a ser vista como inferior à outra?

Me digam se isso acontece com o inglês americano? Afinal, eles também foram colônia da Inglaterra. Por que o inglês da Inglaterra não é muito mais bonito que o inglês americano?

O português de Portugal é diferente do português do Brasil, assim como o português do Cabo Verde é diferente do português de Moçambique, e não é nenhum acordo lingüístico que vai mudar isso. Estamos falando de culturas diferentes, de povos diferentes e de situações sociais diferentes.

A gramática (ou os gramáticos) só precisam entender que frases como “Você viu ela chegar” ou “Eu conheço ele”, são construções totalmente comuns ao português brasileiro. A um falante — ou mais ainda, a um aluno — não devem ser impostas regras que simplesmente não fazem parte da realidade de NENHUM usuário da língua, portanto, totalmente artificiais, numa tentativa inútil de fazer nações que estão a 10.000 quilômetros de distância, falarem exatamente do mesmo jeito.

Referências

BAGNO, Marcos. Preconceito Lingüístico: o que é, como se faz. São Paulo – SP, Edições Loyola, 2002, 18 ed

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E um comentário:

Ontem estava numa loja de livros, aqui no Porto, quando me deparei com uma senhora dizendo. "O pá, mas no Brasil, lá se tem um português estragado!", e quando perguntei a ela se ela concordava com aquilo, disse-me convencida:

"Quem foi que descobriu o Brasil? Portugal! Pois somos nós que dominamos a língua, a língua é portuguesa".

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E outro comentário:

Frases do dia-a-dia

"Nunca fui a Nuruega, mas gostaba de ir"

"A pixina tá bazia".

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Planos:

Vou fazer um pequeno recorte de como os habitates do Porto e Lisboa falam, só para terem uma idéia.
Assim que tiver uma câmera filmadora...

19 maio 2010

Banksy 3 - A revanche

Obras de grafiteiro Banksy são roubadas de galeria em Londres.

Duas gravuras do artista e grafiteiro Banksy avaliadas em cerca de R$ 35 mil foram roubadas da galeria Soho, em Londres, na Inglaterra. Segundo informou o site da agência de notícias BBC, a ação aconteceu no último dia 1º de maio e foi conduzida por um homem e uma mulher.

De acordo com a fonte, o homem usou uma placa de trânsito para quebrar o vidro do prédio e roubar as artes, enquanto a mulher vigiava as imediações. As impressões medem cerca de 90 x 120 cm e são montadas em molduras de vidro. Os suspeitos ainda não foram localizados pela polícia.

A primeira impressão, "Happy Choppers", é a número 118 de uma série de 750 e estava à venda por cerca de R$ 19 mil. Já a segunda, "Nola [Grey Rain]", era a nº 15 de uma série de 63 e custava cerca de R$ 16 mil.

Artista múltiplo

Assim como os irmãos paulistanos Otávio e Gustavo Pandolfo --osgemeos--, Banksy se tornou famoso em todo o mundo pelos grafites, mas logo enveredou para as artes visuais.

Conhecido por não revelar a sua verdadeira identidade, o artista já pintou muros da Cisjordânia e uma figura de tamanho real de um detento de Guantánamo na Disneylândia da Califórnia. Em 2009, a maior de suas exposições foi inaugurada em Bristol, sua cidade-natal, no oeste da Inglaterra. A mostra exibiu instalações gigantescas e 70 novos trabalhos.

De um artista de grafite para uma estrela global, o trabalho de Banksy se tornou tão precioso que muitos de seus trabalhos de rua tem sido recuperados e vendidos, incluindo uma pintura em uma parede de Londres que alcançou 208.100 libras (US$ 340 mil) em um leilão on-line em 2008.


*Com agências internacionais


Notícia retirada do UOL, clique aqui para ver o original.

09 novembro 2009

Mulher à Revelia

Quando eu tinha um pouco mais de 19 anos, ouvi pela primeira vez que a minha geração era mais reacionária do que a geração dos anos 40/50.
Desta vez eu leio a mesma opinião e, contrário à primeira escuta, acredito.

Essa nossa geração é a geração do "fez-por-merecer".
Que mal tem chamar a menina de PUTA? Afinal, ela provocou ao desfilar de mini-saia nos corredores de uma universidade, centro de pesquisa e ensino.

Eu achei tudo isso uma barbárie. É a verdadeira Geni, do Chico Buarque, sendo apedrejada por um bando de moleques sem temperamento, ou discernimento do convívio social.

Texto retirado na íntegra do site Boteco Sujo, onde tudo começou...
(Bem) escrito por Fausto Salvadori Filho:

"






Como uma universidade conservadora contemporânea, a Uniban se exprime numa linguagem própria, que nem todos podem compreender com facilidade. O Boteco Sujo resolveu dar uma força e vai traduzir os trechos mais obscuros do anúncio em que a universidade comunica a expulsão da aluna Geisy Arruda, condenada pelo crime de ser xingada de "puta, puta" por uma multidão enfurecida. Aí vai, do unibanquês para o português coloquial:


"A educação se faz com atitude e não complacência"



No dicionário da Uniban, atitude é o que a universidade adota quando expulsa uma estudante agredida e complacência é quando livra a cara de centenas de alunos que a agrediram.

"A sindicância apurou que, no dia da ocorrência dos fatos, a aluna fez um percurso maior que o habitual aumentando sua exposição e ensejando, de forma, explícita, os apelos dos alunos que se manifestavam em relação à sua postura, chegando, inclusive, a posar para fotos. Novamente, a aluna optou por um percurso maior ao se dirigir ao toalete, o que alimentou a curiosidade e o interesse de mais alunos e alunas, tendo início, então, uma aglomeração em frente ao local."




A Uniban entende que um corpo feminino é a fonte de todo mal e, portanto, deve ser restringido ao máximo. Seu raio de movimentação deve ser restrito (nunca fazer percursos maiores do que o habitual!) para não aumentar sua exposição e fotos de tais indedências devem ser terminantemente proibidas.


"Depoimentos de colegas indicam que, no interior do toalete feminino, a aluna se negou a complementar sua vestimenta para desfazer o clima que havia criado."



Complementar a vestimenta = adequar a indumentária da aluna aos padrões contemporâneos. Contemporâneos aos do Afeganistão nas regiões pró-Taleban, é claro.



"Foi constatado que a atitude provocativa da aluna, no dia 22 de outubro, buscou chamar a atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar, o que resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar."



Cuidado para um erro comum. Em unibanquês, defesa do ambiente escolar não signfica, por exemplo, lutar contra a direção de uma universidade que mantém cursos não reconhecidos pelo MEC, Defesa do ambiente escolar significa filmar as coxas de uma loira com o celular, ameaçá-la de estupro e gritar "PUTA, PUTA" a plenos pulmões, dentro o ambiente esperado de uma universidade como a Uniban.

"Nesse sentido, cabe aqui registrar o estranhamento da UNIBAN diante do comportamento da mídia que, uma vez mais, perde a oportunidade de contribuir para um debate sério e equilibrado sobre temas fundamentais como ética, juventude e universidade."


Estranhamento diante do comportamento da mídia = não entender por que é que não puxaram nosso saco e divulgaram só o que a nossa tão bem treinada assessoria de imprensa tinha a dizer?
ética = dinheiro
juventude = dinheiro
universidade = dinheiro


"Para tanto, convida seus alunos e alunas, professores, funcionários, a comunidade e a mídia para um ciclo de seminários sobre cidadania em data a ser oportunamente informada."

E vejam algumas das palestras deste ciclo de seminários:

Mahmoud Ahmadinejad e Avigdor Lieberman - Respeito à diversidade
Hugo Chávez e Roberto Micheletti - Liberdade de expressão
José Sarney e Yeda Crusius - Ética na política
Eduardo Azeredo e Daniela Cicarelli - Liberdade de expressão na era digital

Falando nisso, aliás, é bom dar uma olhada em alguns comentários que os gringos fizeram sobre o caso Geisy no site Huffington Post. Cito alguns:

Wow, had to check that this wasn't in a midwest school or in Colorado or something.
[uou, tive que verificar pra ver se isso não era uma escola do meio-oeste americano ou no colorado, ou algo do gênero]

Guess hypocrisy has no national borders.
[acho que hipocrisia não tem fronteiras]

What a bunch of women-hating HYPOCRITES.
[que bando de HIPÓCRITAS anti-mulheres]

Brazil.....isn't that where they run around naked at the beach? Didn't know they were such prudes.
[Brasil.... não é lá onde eles andam pelados na praia? Não sabia que eles eram tão podicos]

Seems like the Republicans migrated south.
[parece que os republicanos migraram pro sul]

On a scale of stupid ragning from 1 to 10, with ten being the stupidest, these Brazilians certainly rate a 10.
[numa escala de estupidez de 1 a 10, sendo o 10 o mais estúpido, esses brasileiros certamente tiram um 10]


Logo os americanos, tido como tão conservadores, parecem ter mais juízo do que a gente.E, para quem ficou indignado com o caso Geisy, o programa de hoje é o seguinte: Protesto em frente à Uniban, na Avendida Dr Rudge Ramos,1701, em Sao Bernardo Do Campo (SP), a partir das 18h. Vá e, se for mulher, não esqueça de vestir sua minissaia. Rosa choque, de preferência.Veja mais detalhes aqui e assine o abaixo-assinado.

"

01 setembro 2009

" Disparos contra a humanidade" Chico Mendes.

Se não houver frutos,
valeu a beleza das flores.
Se não houver flores,
valeu a sombra das folhas.
Se não houver folhas,
valeu a intenção da semente.

Espero que essas palavras, essas histórias, esses rios que cortam nosso país, por vezes de aguas claras, profundas e por vezes turvas, poluidas e injustas, possa lançar em todos voces e em todos nós, neste mundo a revelia, mais força para a poesia e para a contrução desse Brasil que queremos.

Hasta la victoria Siempre.
Salve o Samba e a Amazonia, e toda a natureza e as culturas que vivem dentro dela.

“Disparos contra toda a humanidade”: 20 anos sem Chico Mendes

December 29th, 2008 in Notícias | leave a response


Por Marina Silva,
senadora pelo PT do Acre

Se Chico Mendes fosse vivo, certamente estaria na internet divulgando suas idéias e pedindo apoio à causa da floresta amazônica e das populações tradicionais e extrativistas que nela vivem. Ele tinha consciência aguda do papel da mídia para o movimento social. Se mais pessoas soubessem o que acontecia lá no Acre, se tivessem oportunidade de conhecer o pensamento dos seringueiros, talvez houvesse mais apoio para evitar que o dano irreversível acontecesse, com a derrubada da floresta.
Na época, a maior parte da imprensa de Rio Branco era muito hostil. Na maioria das vezes, Chico era tratado como intransigente inimigo do progresso, enquanto a situação real mostrava acelerada destruição ambiental e o deslocamento massivo de trabalhadores extrativistas para a periferia das cidades.
Chico procurava jornalistas que poderiam ter abertura para divulgar nosso lado, entender a resistência à motoserra, sensibilizar pessoas do Acre e de fora. Visitava redações, escrevia cartas e as levava pessoalmente. Eu achava aquilo muito constrangedor e me doía quando os jornais soltavam notinhas tripudiando.
No final de 1988 me preparava para ir a São Paulo tentar um tratamento contra a hepatite B. Antes de viajar, passei alguns dias em Xapuri, hospedada na casa do Chico, como sempre fazia quando estava lá. Ainda me emociono quando penso na nossa relação de amizade, confiança e fraternidade. Naquela casa tão pequena, de um único quarto, eu era abrigada num colchonete no chão, junto das crianças, ao lado da cama de Chico e de Ilzamar. Na maioria das vezes, na verdade, quem ia para o chão era o Chico e eu e Ilza ganhávamos o conforto da cama.
Na minha partida para Rio Branco, de onde seguiria para São Paulo, ele foi me acompanhar até a rodoviária. Fomos caminhando pela rua e puxou uma conversa triste e angustiante: “Desta vez não tem mais jeito. Acho que os cabras vão me pegar”. Tentei achar uma saída: “Por que você não fala com o pessoal lá de Rio Branco pra denunciar nos jornais?”. Ele respondeu de uma tal forma que me fez perceber o quanto estava desanimado e encurralado: “Não adianta, eles dizem que estou me fazendo de vítima, que quero posar de mártir pra me promover. Tem até jornalista que faz piada”. Continuamos andando num silêncio que nenhum dos dois sabia como romper. Senti que ele estava perdendo as esperanças na insistente militância para dar visibilidade ao movimento seringueiro e buscar aliados.
Fora do Acre tínhamos algum oxigênio. Os amigos ambientalistas e admiradores do Chico denunciavam, acionavam as autoridades federais, mas no estado o ambiente institucional era de violência e desmando, misturado a interesses que viam a derrubada da floresta e sua transformação em pastos e fazendas como a forma mais rápida de lucrar com a “colonização” da Amazônia.
Cheguei a São Paulo, fiquei na casa de parentes, em Ribeirão Pires. No dia 22 de dezembro de 88, fui à primeira consulta com o naturopata Adauto Vilhena e saí bem animada. Às dez da noite, o Gilson, primo de meu marido Fábio, ligou de Rio Branco: “Marina, fica calma”. Eu respondi: “Mataram o Chico Mendes”. Ele perguntou: “Como é que você sabe?”. Desliguei o telefone porque não conseguia dizer mais nada.
Fábio e eu demoramos a conseguir dinheiro para as passagens de volta, mas ainda chegamos a tempo de assistir a missa de sétimo dia. A notícia tinha saído na primeira página do New York Times e o colunista Tom Wicker dissera que os tiros que mataram o Chico eram “disparos contra toda a humanidade”. Só então a mídia brasileira despertou para a importância do fato e para o significado daquele seringueiro e de sua luta. Os telefones do PT e do sindicato não paravam de tocar. Eram jornalistas do país inteiro – além da mídia estrangeira – querendo informações sobre o Chico. Tudo se passou como um movimento especular. Só quando nos vimos refletidos no espelho do mundo desenvolvido é que reconhecemos quem nos era de enorme valor.
Se não tivesse saído no New York Times, se não tivesse chegado a Rio Branco uma comissão de parlamentares americanos liderada por Al Gore, para se solidarizar com o movimento seringueiro e a família de Chico, talvez a morte dele tivesse sido apenas mais uma no rol dos assassinatos de lideranças de movimentos sociais que eram – e continuam sendo – rotina sinistra na Amazônia. No próprio Acre, Wilson Pinheiro, a maior liderança extrativista antes de Chico, também foi assassinado. E assim como ele, Ivair Higino, Calado, Elias, e tantos outros.
Com Chico foi diferente talvez por circunstâncias históricas, mas muito porque ele tinha um jeito único de entender o movimento. Sempre como ponte para uma aliança, sempre como forma de atrair diferentes pensamentos e experiências, desde que convergissem no essencial, nos valores. Nisso, foi além de seu tempo. De homem simples, introspectivo, pensativo, transformou-se numa referência impregnada em tudo o que aconteceu depois em termos da relação da sociedade com a proteção ambiental e do significado da Amazônia e de seus povos para o Brasil e para o mundo.
É incrível como temos dificuldade de reconhecer nossos próprios tesouros até que alguém nos diga: “isso não é pedra, é ouro.” Primeiro um olho externo vê e nós nos vemos através dele. O bom é que, 20 anos depois, parece que temos nossas próprias lentes sobre a Amazônia, o Cerrado, a Mata Atlântica e todos os nossos biomas. Respeitamos mais as populações tradicionais, temos mais convicção sobre a importância do Brasil e sabemos que somos uma potência ambiental. Não é o suficiente para revertermos distorções históricas, mas já é um bom começo.
E Chico Mendes antecipou essa visão ao perceber que, na Amazônia, o caminho correto estava na junção da luta por uma sociedade mais justa com a defesa do meio ambiente e do uso respeitoso dos recursos naturais. Ele conseguiu viver e sintetizar dois mundos que naquela época pareciam ter pouco a ver um com o outro: o do movimento social de esquerda, focado na luta sindical pela reforma agrária, e o do ambientalismo, com sua visão global de processos ecológicos e de proteção dos ecossistemas.
O Chico foi apropriado pela sua causa, assim como Luther King, Gandhi, Mandela o foram pelas suas. E todos tiveram em comum a capacidade de escancarar novas maneiras de ser e de agir, projetando o futuro na prática. Acredito em valores morais e universais e também que eles são objeto de descoberta tanto quanto as fórmulas científicas. Só que são descobertos em nosso coração em primeiro lugar, depois vêm para a razão.
As pessoas que fazem a diferença no mundo são aquelas que se orientam pelo coração e por valores, não aquelas que simplesmente fazem coisas. Sem isso, ninguém suportaria trinta e tantos anos em uma cadeia, como o Mandela, e sairia de lá íntegro, pronto para retomar a sua luta. E certamente também foi por algo muito maior que Chico Mendes recusou o convite para refugiar-se nos Estados Unidos como forma de se proteger das ameaças de morte. Ele respondeu que seu lugar era “com os companheiros”.
Os assassinos de Chico Mendes pretendiam desconstituir o movimento social, dar o tiro de misericórdia na resistência dos seringueiros, acabar com as incipientes tentativas de proteger a integridade da floresta. Não deu certo. Vinte anos depois, Chico continua “com os companheiros”, que carregam em si os ensinamentos e os valores do seu grande líder e os espalham por onde passam, nas suas ações, na suas vidas, nos seus sonhos.

Artigo publicado no site da Terra Magazine

ZAMBA PARA NO MORIR

Meu povo,

Zambas, Chacareras, Bailecito todo o folclore Argentino é maravilhoso. Mas uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, e tem muitas outra coisas dentro dessas coisas. Hahaha.. Chacarera de las Piedras é uma Chacarera, de Atahualpa Yupanqui, um das maiores pessoas que já passou por este continente, que registrou e criou muitas músicas do folclore não só argentino como Latino Americano. Que tão belamente Canta Mercedes Sosa. Chacarera se dança
sem o panuello ( lencionhos lindos). Já a ZAMBA dança homens e mulheres com lencinhos... e é tão , tão lindo. Quem nunca viu, e nunca dançou, vale a pena... é um acontecimento na alma.
Deixo aqui a letra de uma Zamba que eu particularmente gosto muito. E o interesse, eterno de sempre trocar e divulgar essas maravilhas das culturas , populares, de nosso continente.

http://www.youtube.com/watch?v=zvlHZmaFQ3Q

Romperá la tarde mi voz
Hasta el eco de ayer.
Voy quedandome solo al final
Muerto de sed, harto de andar.
Pero sigo creciendo en el sol,
Vivo.

Era el tiempo viejo la flor,
La madera frutal.
Luego el hacha se puso a golpear,
Verse caer, solo rodar.
Pero el árbol reverdecerá
Nuevo.

Al quemarse en el cielo
La luz del día, me voy
Con el cuero asombrado me iré
Ronco al gritar que volveré
Repartido en el aire a cantar
Siempre.

Mi razón no pide piedad
Se dispone a partir.
No me asusta la muerte ritual
Solo dormir, verme borrar.
Una historia me recordará
Vivo.

Veo el campo, el fruto, la miel
Y estas ganas de amar.
No me puede el olvido vencer
Hoy como ayer siempre llegar.
En el hijo se puede volver
Nuevo.

Al quemarse en el cielo...

27 agosto 2009

Alberto Giacometti


"... o espaço vibra em torno delas. Nada mais está em repouso. Talvez porque cada ângulo (feito com o polegar de Giacometti quando trabalhava a argila), curva, saliência, crista ou ponta arranhada do metal não estejam eles próprios em repouso. Cada um deles continua a emitir a sensibilidade que os criou. Nenhuma ponta ou aresta que recorta e rasga o espaço está morta." Jean Genet

"... Quando era menino, eu achava que podia fazer qualquer coisa. E esse sentimento durou até os dezessete, dezoito anos. Então subitamente me dei conta de que não podia fazer nada e me perguntei por que. Quis trabalhar para descobrir. E é isto que me faz trabalhar desde então, esse desejo de descobrir porque não posso simplesmente reproduzir o que vejo. ..." A. Giacometti (1901-1966)

21 agosto 2009

Amada vida, minha morte demora.
Dizer que coisa ao homem,
Propor que viagem? Reis, ministros
E todos vós, políticos,
Que palavra além de ouro e treva
Fica em vossos ouvidos?
Além de vossa RAPACIDADE
O que sabeis
Da alma dos homens?
Ouro, conquista, lucro, logro
E os nossos ossos
E o sangue das gentes
E a vida dos homens
Entre os vossos dentes.


* * *

Lobos? São muitos.
Mas tu podes ainda
A palavra na língua

Aquietá-los.

Mortos? O mundo.
Mas podes acordá-lo
Sortilégio de vida
Na palavra escrita.

Lúcidos? São poucos.
Mas se farão milhares
Se à lucidez dos poucos
Te juntares.

Raros? Teus preclaros amigos.
E tu mesmo, raro.
Se nas coisas que digo
Acreditares.

Hilda Hilst