Em agosto de 1976, o cineasta francês Claude Lelouch adaptou uma câmera giroscopicamente estabilizada na frente de um Ferrari 275 GTB e convidou um amigo piloto profissional de Fórmula 1, para fazer um trajeto no coração de Paris na maior velocidade que ele pudesse.
A hora seria logo que o dia clareasse. O filme só dava para 10 minutos e o trajeto seria de Porte Dauphine, através da Av. Foch e do Louvre até a Basílica de SacreCoeur. Lelouch não conseguiu permissão para interditar nenhuma rua no perigoso trajeto a ser percorrido.
O piloto completou o circuito em menos de 9 minutos, chegando a 324 km por hora em certos momentos. O filme mostra-o furando sinais vermelhos, quase atropelando pedestres, espantando pombos e entrando em ruas de sentido único. O piloto teria sido René Arnoux ou Jean-Pierre Jarier?
Quando mostrou o filme em público pela primeira vez, Claude Lelouch foi preso. Mas ele nunca revelou o nome do piloto de fórmula 1 que pilotou a máquina e o filme foi proibido, passando a circular só no underground.
Meu último trabalho prático ano passado consistia em ir a uma vila nos alrededores de Buenos Aires e, de lá, fazer qualquer coisa em um audiovisual com duração indeterminada. A única restrição era que tivesse, como título, o nome do lugar a ser "retratado". Após muitas visitas, contatos íntimos com uma família, e um intenso trabalho com alguns dos 400 moradores da vila, terminamos por fazer um "documentário experimental" nos moldes do que Eduardo Coutinho chama de fazer um filme, não sobre as pessoas, senão com elas. Eis aqui a versão entregue a nossa faculdade:
Depois de tanto envolvimento com os moradores de Villa Ruiz, nos sentiamos responsáveis em entregar a eles um material ao nível do que eles mesmo esperavam de nós quando toparam contribuir para o projeto. Assim que, para "agradar as expectativas" daqueles que nos ajudaram, fizemos uma nova versão do video, incluindo e retirando partes que, a nosso ver, eram aquelas que correspondiam ao que eles esperavam ver de si mesmos num filme sobre, afinal, eles mesmo.
Mas ficaram as questões, é válido julgar por própria conta e assim causar uma separação entre o que esperam o público e a crítica, para terminar em manipular os resultados do produzido em função de um e do outro? Nos seguimos por aqueles que queremos agradar, e quando queremos agradar aos dois e são incompatíveis entre si? Cinema de público e de crítica não podem ser vistos ou verem de uma mesma maneira? São as grandes obras aquelas que logram agradar a ambos?
Filme-animação de vanguarda, filmado em 1980, por Zbigniew Rybczyński. A animação é destituída de enredo, e é baseada em um conceito simples: introdução ao espaço fechado de quantas pessoas executam tarefas repetitivas. O filme combina a precisão matemática da aplicação da visão artística. Tango foi um grande sucesso de animação na Polônia. Rendeu Óscar pela primeira vez a um filme polonês.
O Tango de Zbigniew Rybczyński foi realizado durante quase um ano devido ao seu complicado processo de criação. Aplicada a técnica do ensaio fotográfico, que consiste em separar o movimento da forma, em seguida, organizou as fotos em seqüências de animação. Rybczyński trabalhou no filme todo, e praticamente se mudou para o estúdio Se-ma-fa, transformando a sala de filmagem em sua sala.
Propostas do trabalho: -- apresentação do espaço como "espaço de memória", onde você pode jogar tudo o que acontece num mesmo local, compartilhado pela idéia de uma vivência simultânea -- o espaço como uma imagem de isolamento das pessoas no mundo de hoje, cada um dos personagens, embrulhado em suas atividades, ignorando todos os demais -- como uma crítica à estagnação e repetição da vida humana, a banalidade dos direitos humanos realizadas por agir sem pensar. -- o ato de se locomover como um mal necessário; a viagem se torna um lugar-nenhum, reduzida sua importância ao momento da saída e da chegada.