26 junho 2009
22 junho 2009
Ela me veio; como obra pré-formatada e não como uma inspiração.
Veja a diferença:
Se a idéia viesse como uma musa, eu sentado debaixo de uma pessegueira, escrevendo em meu caderninho de devaneios, numa bela tarde outonal, aí sim seria acometido em realizá-la, dar-lhe a forma que merece.
Mas estou mais para ator coadjuvnte nessa história, e nela não há caderninho de devaneios muito menos árvores pessegueira. Percebi ontem que ter um papel secundário - não em relação a você mesmo, mas em relação ao Público em geral - não é assim tão ruim. Você pode escolher seu caminho mais livremente, morrer na amargura do anonimato (a Besta do século XXI) e rir-se postumamente, como fez Brás Cubas.
Por enquanto, nada além dessa minha imagem a passar para os outros.
Ela causa uma certa reverberação, admito, mas como toda pedrinha n'água um dia afunda e aquieta-se.
Não é tristeza.
19 junho 2009
15 junho 2009
10 junho 2009
Brasilidade
"Nós brasileiros estamos firmemente persuadidos, no fundo de nossos corações, que sobreviveremos ao fim do mundo que acontecerá um dia. Fundaremos então um reino de justiça, pois somos o único povo da terra que pratica diariamente a lógica do ilógico, como prova nossa política."
(Tentativa de explicação de Guimarães Rosa a um alemão, nessa célebre entrevista presente nas obras completas do escritor, editora Nova Aguilar).
09 junho 2009
Mantra
02 junho 2009
Manifesto antropofrágil
Em agradecimento ao entretenimento em detrimento
Do que era uma pedra no caminho,
Do verso intransitivo
Esse é o manifesto pró-picarista
A descendência naturalista
Das novas desordens a já bem vistas
Nossa gente humilde armada
Nosso gatilho em disparada
Nosso retiro...
Essa é a nossa rua
Inunda
O que a marginalidade funda
Nosso pavio curto, nossa bomba de chocolate.
Essa é a nossa livraria
Cheia de crimes do dia a dia
Cheia de amores e beijos
Essa é a nossa cultura
A paisagem dura
O tapete vermelho onde o povo samba
Uma feira de artes na beira da tarde,
Essa é a nossa parte,
As agrárias que nos cabem nesse latimúndio.
Essa é a nossa raça plura, plura!
As novas revoluções sob a mesma impostura
E pra não dizer que não falei...
Aqui jaz um deserto, aqui perto
É jardim."
(Gero Camilo, "Anunciação", Canções de Invento)
(E viva Gero Camilo!)
25 maio 2009
Analfabetismo escrito
Eita espera que aqui dentro tá difícil de exprimir por mais que se esprema custa sair. É valioso demais ou é falta de assunto que corrompe neste exato minuto ou dias ou meses que já não me aguento. Que não me faço entender, já sei não mais explicar o quê. Acontece.
Acontece.
Sempre acontece assim: que num dia sem mais, sei que dia não, dia sim, dia não, dia assim, é isso que dá deixar a cabeça governar. Instrumento falho é a cabeça. Precisamos mais é de outras coisas mais. Outros órgãos estimulantes, incensos, ansiolíticos, calmantes naturais. Controlar quem nos controla a torto e a direito.
Não peço desculpas pelo texto em frangalhos tenho mais é que expressar antes que me engulam nessa vida.
Que o leitor se deixe diluir, se deite, degole, deguste-me. Leitor é pressas coisa mesmo.
19 maio 2009
Ponto Assim
Projeto: tomada de coragem, exposição do transcendental-sei-lá-o-quê do pensamento em papel.
Acho que quando construíram essa cidade, e aqui me refiro a Buenos Aires, agradou-lhes a idéia de amplas avenidas, pouquíssimos viadutos (vê-se dois na cidade inteira) e muitos, mas muitos parques e praças e gentes e carros e kioskos.
Muito se fala que B.As. é a Europa da América da Sul. Eu afirmo o contrário. Buenos Aires para mim é um enlace entre gigantismo sulamericano, no que diz respeito às suas gentes e territorialidades, dinâmica amorosa latina (ver post sobre latinidade) e cultura afiada na ponta da língua.
Pobre de mim se a buscasse como uma Paris escondida nos cafés, uma Londres nos leitores do metrô, uma Colômbia na eterna cúmbia dos passantes da Avenida Corrientes. Comparar é encaixar peças amorfas num tabuleiro decididamente estático, pode-se observar à distância mas nunca agregá-las a um corpo uno. Nós, da contracultura tipicamente eurocêntrica - como se os Estados Unidos fossem todo o mau do mundo - nos vangloriamos de um projeto que não é nosso, e tentamos fazer deles, os nossos planos.
No Lonely Planet deveria haver um aviso bem grande na sessão inicial:
"Se você procura o charme da Europa, vá para a Europa. Buenos Aires é tão só um ponto assim latino, encrustrado no Rio da Prata, com excelentes paseos e museus. Bem-vindo!"
11 maio 2009
Saudade segundo Ana
Um desconjunto,
despés no chão
desmão que apalpa
destato,
um destrato.
intrínseco e inato
desde que nasce este minuto.
(01/05/2009)
ATOS
De vez em quando a saudade é aquela. Tanta, que nem sei se existe a pessoa de que sinto falta.
Se já existiu.
Parece.
Mas sei que só parece. Apenas.
Parece muito.
É invenção?
Parece tanto.
Parece.
Que. Será que não é mesmo ele?
(09/03/2009)
ENCONTRO CLÁSSICO NO SALÃO
eu saúdo
tu saúdas
nós saudade
(28/02/2009)
(d'O galo da vizinha, aí à direita, da Ana Khel)
28 abril 2009
27 abril 2009
18 abril 2009
13 abril 2009
Para falar do que alimenta
07 abril 2009
Vinil É Arte
Uma pesquisa mais profunda talvez não seja o forte deste projeto, mas conhecer gente nova e ouvir gente boa é ponto legal do Vinil.
O som não pode parar!
04 abril 2009
E a crítica que não toque na poesia
"A melhor crítica
de um poema
é um poema"
E nunca me esqueci disso. E, no ato, critiquei essa frase, que para mim, formalmente, seria melhor assim:
Poesia
se critica com
poesia.
Do vento
(Do "cafofo" da Clá, aí à direita)
Ela
traça algumas idéias fracas.
se revolta e cauca o lápis no papel.
insiste nas linhazinhas. que mania.
faz cinco anos que age assim:
vai ao banheiro, arrepia o cabelo e passa um batom vermelho.
dizem que é desorientada, a coitada.
anda na rua pulando as divisões da calçada.
gosta de rosnar pros passantes.
eles dão risada. com sorte não voltarão a encontrar aquela maluca na rua.
morre de dor de cabeça aos domingos.
aliás, por ela os domingos deveriam ser extintos.
ninguém é obrigado a sentir angústia.
as vezes ela se joga na sala e fica se esfregando no chão.
gosta do cheiro do taco de madeira velho.
fica debruçada olhando as ranhuras dos tacos.
imagina ser gigante temida pelas formigas e seres miúdos.
o mundo se resume em olhar pro céu e olhar pro chão.
quando acorda em dias de céu, mal consegue conversar.
fica olhando para cima, infiltrando os olhos no ponto mais longínquo que consegue.
vem treinando isso ha muito tempo.
em dias de chão, torna-se uma figura verborrágica.
se encontra um ouvinte, bom.
caso contrário não se importa em falar com seus sapatos.
ontem me disseram que ela está com mania de assoviar.
tem desmaiado bastante por excesso de assovio.
quando perguntam porque ela não pára, responde:
- Gosto de assoviar, assoviar, assoviar até me sentir sem chão, sem céu, até minha vista empretecer. sinto tudo formigar e caio no chão até o cheiro do taco me acordar.
(do "cafofo" da Clá, aí do lado direito)
03 abril 2009
30 março 2009
pequeno cidadão
o projeto conta com taciana barros edgard scandurra (vulgo mae e pai de mim) o arnaldo antunes e o antonio pinto (que fez, por exemplo, a trilha do cidade de deus). sem contar a participação de todos os 12 filhos (por ai). Duvido alguem acertar qual é a musica que eu fiz! beijo tchau
http://www.myspace.com/pequenocidadao





