17 abril 2010

Villa Ruiz - documentário?

Meu último trabalho prático ano passado consistia em ir a uma vila nos alrededores de Buenos Aires e, de lá, fazer qualquer coisa em um audiovisual com duração indeterminada. A única restrição era que tivesse, como título, o nome do lugar a ser "retratado". Após muitas visitas, contatos íntimos com uma família, e um intenso trabalho com alguns dos 400 moradores da vila, terminamos por fazer um "documentário experimental" nos moldes do que Eduardo Coutinho chama de fazer um filme, não sobre as pessoas, senão com elas. Eis aqui a versão entregue a nossa faculdade:

Villa Ruiz - legendado from Lorena Pazzanese on Vimeo.


Depois de tanto envolvimento com os moradores de Villa Ruiz, nos sentiamos responsáveis em entregar a eles um material ao nível do que eles mesmo esperavam de nós quando toparam contribuir para o projeto. Assim que, para "agradar as expectativas" daqueles que nos ajudaram, fizemos uma nova versão do video, incluindo e retirando partes que, a nosso ver, eram aquelas que correspondiam ao que eles esperavam ver de si mesmos num filme sobre, afinal, eles mesmo.


Villa Ruiz, versão Villa from Lorena Pazzanese on Vimeo.

Mas ficaram as questões, é válido julgar por própria conta e assim causar uma separação entre o que esperam o público e a crítica, para terminar em manipular os resultados do produzido em função de um e do outro? Nos seguimos por aqueles que queremos agradar, e quando queremos agradar aos dois e são incompatíveis entre si? Cinema de público e de crítica não podem ser vistos ou verem de uma mesma maneira? São as grandes obras aquelas que logram agradar a ambos?

3 comentários:

Daniel disse...

puxa, muito bom!

adorei as duas versões, talvez até mais da segunda.. acho que porque é maior e me encanto de ouvir essa lingua, ainda mais dessa maneira tão sincera/gela/pura ...

e acho que a maioria das grandes obras não agradam a todos (pelo menos não no momento em que são divulgados) agradam sempre mais à crítica ou ao público e só o tempo é quem trata de universalizar esse "gosto" ou não (é tão difícil a unanimidade)... de qualquer forma, achei ótimo isso de comparar as duas versões, penso até que seria interessante uní-las num só filme, (uma após a outra) propondo essa discussão...

qual versão mais te agrada lorena?

sei nao se gosto da ideia de fazer coisas para agradar a crítico, prefiro o tratamento direto com o público... mas também... pra que essa separação não é?

Chico disse...

Lore,

Um olhar é sempre um recorte da realidade. O público e a crítica por vezes não compartilham o mesmo sentimento, mas isso não significa um filme menos ou mais valoroso.

Assim como o fato do grande público poder enaltecer obras "pobres", a crítica faz o mesmo, seja através de interesses pessoais, ou simples reação de uma determinada época. Filmes bem falados pela crítica podem, com o passar do tempo, não passar de umas belas bobagens e vice-versa.

Eu, entretanto, teria entregue a versão original aos moradores da cidade.

Lorena disse...

ah! que legal!
Dani: achei muito boa essa idéia de fazer um filme dois em um, legal mesmo... acho que a versão que eu mais gosto foi a que entreguei pra faculdad, de qualquer jeito ainda acho que faltaria essa terceira versão, capaz com as duas, ou ainda um outra coisa totalmente diferente (porque ainda tem muito material)... no final das contas essa separação eu ainda não sei se é necessária, se é clasista, elitista, ou se ela decai com o passar dos tempos, como disse o Chicó.
Achei muito legal o comentários de vocês, revelianos! Viva!