05 novembro 2010

Continuidade e Manifestação

O propósito inicial desta postagem seria sobre uma notícia que circulou aqui em Portugal, um tanto bizarra, em que milhões - eu disse MILHÕES - de dólares falsos foram apreendidos no Porto. Até aí uma notícia cotidiana, qualquerumzainha, senão fosse pelo fato das notas de 100 dólares apresentarem o rosto de Pinto da Costa, presidente atual do Futebol Clube do Porto, ao invés da famigerada cara verde de Benjamin Franklin.
Passado o momento, pus-me a ler sobre os acontecimentos acerca da obra de Nuno Ramos e comecei a questionar-me sobre a integridade deste blog.

Afinal, o que fazemos nós aqui?
Imagino que cada um tenha contribuição importante para a formação e "alma" do Mundo à Revelia; a vitalidade deste espaço depende das experiências individuais e suas personalidades são expostas em cada uma das entradas. Questiono-me, entretanto, até que ponto a sobreposição de "momentos únicos" e conhecimentos particulares interfere na conversa e na fluidez de uma discussão.

Eu mesmo estava à beira de uma exposição completamente descontextualizada. De fato não moro em São Paulo, por certo não estou à par das notícias sobre a Bienal, mas que desculpa tenho eu (temos nós) de sobrepor um argumento ao outro?

O que quero dizer, em linhas curtas - é difícil ser sintético - é que por vezes atropelamo-nos uns aos outros para expormos coisas "legais", que em si só tem uma função de entretenimento ou reflexão sobre aquele argumento, e quanto ao resto? Bem o resto está lá.

Essa notícia do Nuno Ramos realmente me chocou. Devo ser honesto e parcial: estou do lado do artista. A obra de Nuno Ramos é por si um excelente questionamento a toda a esta repressão do cotidiano urbano e do nosso papel. Sem dúvida possui um caráter ideológico muito intenso e propositalmente provocativo.

Mexer com a vida em nome da arte é algo muito complicado. Sinceramente não vejo nenhuma infração ao matar os três urubus e acho uma hipocrisia quando um carnívoro descontrolado (como a maioria de nós) reclama pela vida do "passarinho" quando depredamos um boi sem ao mesmo ver a cara do animal nas embalagens do supermercado.

Matamos muitos "urubus" cotidianos, dos quais nenhum nos comove profundamente, mas quando enfrentamos cara-a-cara e somos postos ao questionamento - como no caso da obra da Bienal - ai sim (com o perdão do trocadilho) o bicho pega!

A obra - e toda a sua discussão - ficou reduzida ao nada: ao direito dos três urubus em cativeiro. Mas e nós, os verdadeiros urubus em cativeiro? Por que ao invés de irmos lá e picharmos sobre um naco de madeira "liberte os urubus", não nos pomos a pensar o conceito de "aprisionamento urbano"? Por que, a partir de uma obra tão profunda nós simplesmente nos esquivamos do fato de estarmos todos fadados a uma estrutura social escrota e pedimos liberdade aos animaizinhos lá deixados?

Pixar na bienal é um ato-em-si. Pixei, rompi, causei. É quase como se houvesse um lugar para os transgessores dentro do aparato estatal.

E nós, Revelia, quando é vamos criar um fluxo de idéias - um aprofundamento nas discussões? Estou cansado de tanta coisa bonita.

3 comentários:

Anônimo disse...

Thanks :)
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Lucas disse...

É isso aí! Nada de cair nas garras da acomodação!!!
Para isso estamos sempre mudando e buscando melhores saídas

Camila disse...

muito bem chicó