11 setembro 2009
THIERRY POR PAZZANESE
10 setembro 2009
ALERTA ELT
Nesta sexta-feira, onze de setembro, artistas representantes dos principais coletivos de artes cênicas das cidades de Santo André e São Paulo - entre os confirmados as atrizes Maria Alice Vergueiro e Leona Cavalli, o ator Antônio Petrim, os diretores Francisco Medeiros e Cibele Forjaz - farão um ato público em prol da manutenção do projeto artístico-pedagógico original, que se encontra ameaçado.
Internacionalmente conhecida por seu projeto inovador desde sua fundação, em 1990, a ELT foi idealizada pela artista-pedagoga Maria Thaís Lima Santos, (hoje professora doutora da USP e coordenadora do TUSP), e coerentemente transformada pela experiência e pelos diversos mestres que passaram por ela tais como: Luis Alberto de Abreu Antonio Araújo, Tiche Vianna, Francisco Medeiros, Cacá Carvalho, Renata Zhaneta, Cibele Forjaz, Cláudia Schapira, Denise Weinberg, Sergio de Carvalho.
Da palavra "Livre" - presente no nome da Escola - emerge um campo pedagógico próprio, que pressupõe o conceito de deliberação coletiva, derivado do contínuo diálogo entre mestres, aprendizes e funcionários (constituintes legítimos da comunidade ELT), num processo de não-hierarquização, radicalmente contrário a imposições.
Desde o final do ano passado, após a eleição do atual prefeito Dr. Aidan Ravin, a comunidade da Escola Livre de Teatro tem se reunido para conhecer o projeto cultural para a cidade de Santo André. Em 28 de novembro, organizou um ato público, o Encontro Cultural da Cidade, quando se esperava como convidado principal Dr. Aidan Ravin. O então futuro prefeito não compareceu, mas fez-se presente através de seus assessores e do vereador recém eleito Gilberto do Primavera, que firmou publicamente seu compromisso com a cultura da cidade e com a manutenção do projeto original da ELT.
No entanto, como primeira medida, designaram para escola uma nova coordenadora não pertencente ao quadro de mestres e desconhecedora do projeto em curso. Em assembléia geral da escola, em 3 de fevereiro de 2009, com a presença de toda comunidade ELT e da coordenadora, o atual Secretário de Cultura, sr. Edson Salvo Melo, não só reiterou a continuidade do projeto artístico-pedagógico como também acenou a reforma física do prédio da ELT, readequando o espaço para as atuais necessidades da escola.
Passados oito meses da nova gestão, de contínuas tentativas de diálogo entre a comunidade, a coordenadora sra. Eliana Gonçalves e os funcionários também recém transferidos para a escola, encontros mediados pelo coordenador Edgar Castro (mestre da escola há 11 anos), fomos surpreendidos por esta repentina demissão feita pelo diretor de cultura Sr. Pedro Botaro no dia oito de setembro.
No ato público os artistas entregarão uma carta ao Secretário de Cultura, Esporte, Lazer e Turismo, sr. Edson Salvo Melo. A idéia é pedir que se reveja a demissão de Edgar Castro - escolhido democraticamente pela comunidade escolar e com ampla aderência de todos - e a que se possa dialogar sobre a presença da sra. Eliana Gonçalves.
A concentração para o ato será às 14h em frente à ELT:
Praça Rui Barbosa s/ nº, bairro Santa Terezinha, Santo André.
Segue em passeata até o Paço Municipal de Santo André.
Os interessados também poderão participar do movimento que reivindica a manutenção do projeto pelo blog: http://www.movimentolivre-sa.blogspot.com/
Assessoria de imprensa:
Carolina Splendore Cameron carolsplendore@gmail.com
Tel. 3705-0741 / 8144-8350
Mariana França mari_arcadia@yahoo.com.br
Tel. 8216-2683
http://www.youtube.com/watch?v=DYxK8cbCSiY
09 setembro 2009
08 setembro 2009
PORTELA nunca vi coisa mais bela
Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2009.
O encontro com a Velha Guarda
“não sigo o caminho dos antigos: busco o que eles buscaram”. Bashô
Tive a sorte e o imenso privilégio de conviver toda essa semana, começando com o sábado na feijoada da portela, com a essencia tão bonita e verdadeira do samba e das pessoas que genuinamente o defendem em um partido alto da criatividade, da sensibilidade, da humildade, do cerne da cultura popular, do amor. Samba....Essa coisa que recria, que expande, que torna tudo melhor e mais bonito, porque é um tipo especial de alegria na comunhão com todos. E no encanto gerado, na essencia compartilhada, tive a sorte do destino me reservar a oportunidade priveliada de na quadra da portela aprofundar a vida, nas histórias de Waldir 59: O número 1 da velha guarda da portela, o grande parceiro de Candeia, quem trouxe Clara Nunes e Paulinho da Viola para este chão azul de nossa história, de nossa música. Waldir é um ser encantador , tão encantador que não consigo agora reunir todas as melhores palavras que devia para descrever essa sensivel, humilde, generosa personalidade, que por uma bendição dos céus terei a maravilhosa e divina oportunidade de conviver nessa minha vida no rio de janeiro, registrando suas histórias apoiando no que possa para que seja reconhecido , valorizado e divulgado esses nossos mestres populares, essa historia de poesia e de luta...para que todos possam conhecer não só nossa verdadeira história... como um pouco dessa sabedoria que recicla a vida. Nessa caminhada de anos.... agora se inicia um novo ciclo.... juntando com tudo que aprendi dos indígenas agora viverei com esses projetos de registro do samba....porque afinal tudo se trata de um assunto: o amor pelas culturas e pela poesia desse nosso Brasil, tão importante nas expressões do povo, seja ele qual for. É a humanidade que se engrandece com essse tipo de arte... e o que eu puder fazer para defender-la e fazer viver em toda sua plenitude... farei com toda energia, com todo amor.
Como o assunto é vasto e o tempo é curto, deixo aqui as primeiras fotos e os primeiros escritos dessas notícias da história do samba, da portela, do povo.... para encher a quadra de tambores de curiosidade. Para cantar a esperança de compartilhar coisas mais profundas nessa vida....
amor
anita.
Portela na avenida
(Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro)
Portela
eu nunca vi coisa mais bela
quando ela pisa a passarela
e vai entrando na avenida
parece
a maravilha de aquarela que surgiu
o manto azul da padroeira do Brasil
nossa senhora aparecida
que vai se arrastando
e o povo na rua cantando
é feito uma reza, um ritual
é a procissão do samba abençoando
a festa do divino carnaval
Portela
é a deusa do samba, o passado revela
e tem a velha guarda como sentinela
e é por isso que eu ouço essa voz que me chama
Portela
sobre a tua bandeira, esse divino manto
tua águia altaneira é o espírito santo
no templo do samba
as pastoras e os pastores
vêm chegando da cidade, da favela
para defender as tuas cores
como fiéis na santa missa da capela
salve o samba, salve a santa, salve ela
salve o manto azul e branco da Portela
desfilando triunfal sobre o altar do carnaval
06 setembro 2009
05 setembro 2009
04 setembro 2009
Matisse na Pinacoteca
Formiga
"O nome científico da formiga", no projeto Palco Giratório do SESC, sábado e domigo.

É o primeiro da trilogia elaborada na Paulicéia unindo clássico ao popular, do balé ao frevo, passando por dança contemporânea, capoeira e, (por que não?), sapateado! Tudo numa fusão única, linda!
Sobre o Palco Giratório: Esse projeto é muito interessante, pois faz com que a cultura se dissemine, tirando os espetáculos de seu eixo para levá-los a outras cidades, grandes capitais como Rio de Janeiro ou mesmo cidades menores do interior do Ceará ou do Rio Grande do Sul.
Iniciativas como essa que fazem o ser humano crescer. Pena que venha só do SESC essa iniciativa, pois se dependessemos do Governo para movimentar a cultura, passaríamos o dia todo em busca de migalhas às portas dos editais. Ó Deus Edital!
03 setembro 2009
O misterioso relato da sabedoria impassivel ou o sermão da circulação sanguinia


Olá queridos,
Estou lendo agora a biografia de Miyamato Musashi ( espadachim de um tipo inteiramente diferente), nunca aceitou mestres ou escolas, nem servir a nenhum senhor, nunca se fixou em um só lugar. Jamais perdeu uma batalha ( participou de mais de 60 combates e várias guerras sem nunca ter sido derrotado) e desenvolveu uma adimirável e verdadeira habilidade espiritual que para além da arte da espada, se manifestou - genial e imbátivel - também em todos os outros aspectos da arte no ser ( poesia, música, pintura, etc.).
Antes de largar por completo a arte marcial e se dedicar ao Zen, Musashi desenvolveu uma especial perícia na luta que não necessitava nem matar , nem ferir fisicamenet o oponente para derrota-lo, só desviava, e sendo impossivel alcança-lo o adversário se dava naturalmente por vencido. Que destreza e que espécie de segurança é necessário em um samurai para, ao contrário de ganhar se direcionando como acertar o adversário, ganhar porque consegue não toca-lo e o adversário reconhece que será impossivel chegar ao fim de sua intenção? É a mesma do embate bem sucedido com alma e com o papel. Não trata-se de intimidar ou impressionar a si mesmo ou aos outros, vencendo o branco, e sim executar nos gestos um caminho verdadeiro, para que trancenda o espírito ( facil falar hahaha).Musashi foi completo em todas as artes. E na pintura , em cada traço, se mostra esse genial risco de seu ser que era a verdadeira espada rompendo com as vicitudes e limites humanos. Quem ainda não leu ( meus amigos novos hahhaah) vale a pena o romance MUSASHI de Eiji Yoshikawae ( o melhor livro que já li de romance) depois desses dois livros maravilhosos, ler o livro: O samurai. A vida de Miyamoto Musashi ( William Scott Wildon).
Acho que todos nós ,com o pincel ou com as palavras, estamos na linha de frente e sempre é bom sentirmos crescer, usar com sabedoria essa força. Trocando com os amigos as profundesas do que nos toca o coração. Por isso dedico essa costumeira atenção e tento compartilhar com todos, cada coisa maravilhosa que encontro. Por isso escrevo, consciente que nesse tempo que vivemos, que pouco nos permite desenvolver o que realmente vale ( coisas simples, trocas, contemplações, reflexões e carinho, uma espécie de justiça cada vez mais rara na humanidade) quem sabe essas faiscas possam nos trazer desenhos de dias mais plenos, encontros.
Segure em anexo uma citação que parafraseia esse momento: uma luta onde estamos cercados por 10 samurais...e como vencer uma batalha assim?. O limite da espada é intessante, porque é o limite da sobrevivencia. Segue outro trecho sobre o corpo, a mente e o movimento ( como na dança) e um trecho mais, sobre a pintura, respostas a mais sobre a mesma questão da sobrevivencia.
Espero que possa tocar algo de bom em cada um de voces e que dessas maneiras estejamos sempre vivendo, profundamente e perto.
Anita.
obs: Agradeço de todo coração e de modo especial ao Artur que é a fonte, e que entre outras coisas me trouxe o Musashi e ao Pedro que além de meu irmão, é meu moinho querido. Que bom passar conversando sobre esses assuntos!
Como se sabe, sendo um artista marcial, não luto para ganhar ou perder, não estou preopucado com a força e fraqueza, e tampouco com o avanço ou recuo. O inimigo não me vê. Ao penetrar em um lugar onde o céu e a terra não foram divididos , onde Yin e Yang ainda não chegaram , rápida e necessáriamente eu ganho efeito.
Sermão da circulação sanguinia.
Daruma
Mas esta mente não está fora de algum lugar fora do corpo material dos 4 elementos. Sem essa mente não podemos nos mover. O corpo não tem consciencia. Como uma planta ou uma pedra, o corpo não tem natureza. Então como ele se move? É a mente que se move.
Separada do espirito não há mente, e separado da mente não há movimento. mas o movimento não é mente. E a mente não é movimento. O movimento é basicamente a não-mente. E a mente é basicamente o Não-movimento. mas o movimento não existe separado da mente, e a mente não existe separado do movimento.
O misterioso relato da sabedoria impassivel. Monge Takuan 1631.
Logo que perceber que a espada que se move para atacá-lo, se você pensar em se opor a essa espada apenas como ela é, sua mente ficará paralisada nessa única posição, seus próprios movimentos serão anulados, e voce será atingido por seu adversário (...)
O que se chama de Fudo Myo-o ( uma manifestação furiosa do Buda) é o que dizem ser a mente inabalável de alguem e seu corpo resoluto. Resoluto significa incapaz de ser detido por qualquer coisa.
O olhar que fixa alguma coisa e não pára a mente é chamado de impassivel. Isso porque a mente pára em alguma coisa, à medida que o peito se enche de vários julgamentos, existem vários movimentos no interior. Quando seus movimentos cessam , a mente parada se move, mas não se move inteiramente.
Se dez homens, cada um com sua espada , o atacarem brandindo suas armas, se você golpear cada espada sem parar a mente em cada direção e passar de um para outro, você deixará de agir propriamente cada um dos dez(...)
A ação da faísca e da pedra ( ...) salienta o ponto em que a mente não pará. Quando a mente pará, ela é possuida pelo adversário. Por outro lado, se a mente contemplar a possibilidade de ser rápida e agir logo, ela será capturada pela sua própria comtemplação (...)
O ato de colocar a mente em um lugar é chamada cair dentro da unilateralidade . A unilateralidade é considerada oblícua em determinado lugar: isso é disciplina. Não parar a mente é objeto e essência. Colocada em lugar algum, ela estará em todos os lugares. Mesmo movendo a mente fora do corpo, se ela for enviada numa direção ficarão faltando nove outras. Se a mente não ficar restrita a apenas uma direção , ela estará em todas as dez.
Cais
Carinho, carinhozinho. Anita.
"Amor é sede depois de ter bem bebido".
Guimarães Rosa.
"Todo Cais é uma saudade de pedra."
Fernando Pessoa
"Perto de muita água, tudo é feliz"
Guimarães Rosa.
" O mundo do rio não é o mundo da ponte".
Guimarães Rosa.
" Só na foz do rio é que se ouvem os murmúrios de todas as fontes"
Guimarães Rosa.
02 setembro 2009
COMO FAZER CINEMA:
NEKROPOLIS NO IV FESTCAL
01 setembro 2009
Rio de Janeiro.
O Rio de Janeiro é a única cidade das que conheço que não conseguiu expulsar a natureza.
Paul ClaudelNessa tarde aprendi com meus avós ( é otimo morar com os avós, sabe aquela coisa de culturas tradicionais, indigenas, africanas, etc etc que a sabedoria tá nos mais velhos e que voce pode aprender um milhão de coisas sobre a vida e sobre a historia do mundo de escutar repetidamente o que eles falam? eu tenho a sorte de integrar o time dos que vivem essa tradição milenar....) e eles me comentaram que foi Paul Claudel, o irmão da Camile Claudel , amante de Rodin... que disse que esta frase : " deus escreve certo por linhas tortas" era um ditado portugues que ele escutou no Brasil. Eu não sabia que Paul Claudel, o poeta, tinha passado anos no Rio de Janeiro. Imagina só! não fazia idéia mesmo.... se eu fosse viva naquele tempo dava um jeito de roubar a Camile Claudel para viver aqui no Rio... levava num samba para curar a doidisse, falava para ela esculpir a pedra do pão de açucar para adoçar a vida, e quem sabe, entre a diversa e maravilhosas curvas da natureza ela não teria sido tão mais feliz.... e faria escultura em bronza da maravilha que é o mar.
Bem... acho que é isso povo, deveria por um poema de Claudel sobre o rio aqui, não sei se existe vou pesquisar. Depois conto. To atrasada e queria por alguns dados interessantes a mais que descobri sobre as maravilhas do rio, mas escrevo depois, to atrasada.
Salve o Samba e bora Fazer viver o Brasil.
Anita.
Cultura livre!

Estreiou hoje com sucesso o programa cultura livre na rádio cultura brasil!
Tem tudo a ver com o nosso blog.
Todos os dias às 14hs
http://www.radioculturabrasil.com.br/
Revolta
"Caro Lucas Botelho,
Bom dia!
Nossa biblioteca é particular e destinada ao uso dos alunos dos cursos das Faculdades de Filosofia e Teologia São Bento, dos cursos de Pós Graduação aqui existentes, professores e monges. Atendemos também pesquisadores externos desde que enviem com antecedência (por e-mail) os dados da pesquisa e as obras a serem consultadas; se for esse o seu caso lhe atenderemos com certeza. O uso das dependências da biblioteca somente para estudo sem que esteja relacionado às condições acima não é permitido.
Atenciosamente,
Cesar Garcia"
Lendo isso não pude conter minha fúria. Apesar de faltarem palavras vou tentar exprimi-la aqui:
- Não sou terrorista, criminoso. Apenas um estudante querendo estudar. Mas um estudante descendente dos latinos, com sangue quente! E esse e-mail foi a gota d'água que me leva a falar sobre:
BIBLIOTECAS EM SP (olhem lá, em São Paulo. Imaginem no resto do Brasil...)
- O sistema bibliotecário é um absurdo! O atraso é gritante. Não há acervo informatizado (que dirá digitalizado!), logo não há sistema integrado. Para saber se o livro está disponível (coisa rara, aliás) tem que ir até o local. Tudo bem, se as bibliotecas não tivessem em média 10 quilometros de distância entre si;
- As obras são velhas, caindo aos pedaços. Não há novas aquisições;
- Não há obras estrangeiras à disposição;
- Reservar livros é impossível. Se informar por telefone também, ou seja, para pegar um livro é necessário ficar indo e vindo às bibliotecas sem garantias de sucesso;
- Há pouquíssimas bibliotecas (deveria ser uma por bairro);
- A principal biblioteca - a Mário de Andrade, na Xavier de Toledo - está há mais de 1 ano em reforma. Reformar é bom, mas o prazo de entrega era janeiro de 2009...;
- Bibliotecas fecham cedo;
- As bibliotecas são podres!;
- Não há previsões de mudança, nem campanhas de inclusão. Falta vontade política dos governantes e, o que é pior, dos cidadãos.
MAS ELE SURTOU, O QUE ELE SUGERE?
- As bibliotecas francesas, por exemplo, têm acervos interligados;
- A Bibliothèque Nationale de Paris, por exemplo, tem milhares de obras digitalizadas e, dentre estas, muitas disponíveis para download. (http://www.bnf.fr/) - Confiram as digitalizações no link Gallica;
- O Centro Georges Pompidou tem tudo o que você quiser em PORTUGUÊS também. (http://www.centrepompidou.fr/home30ans/index.html). Aliás, nova independência não é o pré-sal, mas criar algo parecido com o Pompidou - coisa que, infelizmente ainda demora...;
- Em Barcelona algumas bibliotecas ficam abertas 24 horas! (por que não?);
- Em Toulouse há uma biblioteca por bairro (http://www.bibliotheque.toulouse.fr/accueil_bibliotheques_quartier.html) - não esqueçam, Toulouse tem 400.000 habitantes e muito provavelmente mais bibliotecas que em São Paulo;
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Sem bibliotecas não há espaço para estudo. Sem onde estudar não há país letrado. Sem país letrado nunca finda nepotismo, miséria e tudo o que daí provem.
As bibliotecas humanizam a cidade, aumentam o contato dos cidadãos com a cidade, pois normalmente é uma atividade que pode ser feita a pé.
O livro é o espaço sagrado.
Ler é sagrado e constante. Mas se é para ser uma luta, estamos aqui também! Não abro mão do que é meu.
(...Às vezes acho que o jeito é proibir o livro, para ver se as pessoas reagem...)
Muitas pessoas tem que começar a correr perigo (isso é uma ameaça)
FAÇAMOS PASSEATAS E GREVES POR BIBLIOTECAS DECENTES!
TRAVEMOS A FRANCISCO MORATO, A FARIA LIMA, A RADIAL LESTE, MARGINAIS!
SENHORES, TEMOS UMA BOA CAUSA.
P.s.: Obrigado Faculdade de São Bento, por cutucar a ferida.
" Disparos contra a humanidade" Chico Mendes.
valeu a beleza das flores.
Se não houver flores,
valeu a sombra das folhas.
Se não houver folhas,
valeu a intenção da semente.
Espero que essas palavras, essas histórias, esses rios que cortam nosso país, por vezes de aguas claras, profundas e por vezes turvas, poluidas e injustas, possa lançar em todos voces e em todos nós, neste mundo a revelia, mais força para a poesia e para a contrução desse Brasil que queremos.
Hasta la victoria Siempre.
Salve o Samba e a Amazonia, e toda a natureza e as culturas que vivem dentro dela.
“Disparos contra toda a humanidade”: 20 anos sem Chico Mendes
December 29th, 2008 in Notícias | leave a response

Por Marina Silva,
senadora pelo PT do Acre
Se Chico Mendes fosse vivo, certamente estaria na internet divulgando suas idéias e pedindo apoio à causa da floresta amazônica e das populações tradicionais e extrativistas que nela vivem. Ele tinha consciência aguda do papel da mídia para o movimento social. Se mais pessoas soubessem o que acontecia lá no Acre, se tivessem oportunidade de conhecer o pensamento dos seringueiros, talvez houvesse mais apoio para evitar que o dano irreversível acontecesse, com a derrubada da floresta.
Na época, a maior parte da imprensa de Rio Branco era muito hostil. Na maioria das vezes, Chico era tratado como intransigente inimigo do progresso, enquanto a situação real mostrava acelerada destruição ambiental e o deslocamento massivo de trabalhadores extrativistas para a periferia das cidades.
Chico procurava jornalistas que poderiam ter abertura para divulgar nosso lado, entender a resistência à motoserra, sensibilizar pessoas do Acre e de fora. Visitava redações, escrevia cartas e as levava pessoalmente. Eu achava aquilo muito constrangedor e me doía quando os jornais soltavam notinhas tripudiando.
No final de 1988 me preparava para ir a São Paulo tentar um tratamento contra a hepatite B. Antes de viajar, passei alguns dias em Xapuri, hospedada na casa do Chico, como sempre fazia quando estava lá. Ainda me emociono quando penso na nossa relação de amizade, confiança e fraternidade. Naquela casa tão pequena, de um único quarto, eu era abrigada num colchonete no chão, junto das crianças, ao lado da cama de Chico e de Ilzamar. Na maioria das vezes, na verdade, quem ia para o chão era o Chico e eu e Ilza ganhávamos o conforto da cama.
Na minha partida para Rio Branco, de onde seguiria para São Paulo, ele foi me acompanhar até a rodoviária. Fomos caminhando pela rua e puxou uma conversa triste e angustiante: “Desta vez não tem mais jeito. Acho que os cabras vão me pegar”. Tentei achar uma saída: “Por que você não fala com o pessoal lá de Rio Branco pra denunciar nos jornais?”. Ele respondeu de uma tal forma que me fez perceber o quanto estava desanimado e encurralado: “Não adianta, eles dizem que estou me fazendo de vítima, que quero posar de mártir pra me promover. Tem até jornalista que faz piada”. Continuamos andando num silêncio que nenhum dos dois sabia como romper. Senti que ele estava perdendo as esperanças na insistente militância para dar visibilidade ao movimento seringueiro e buscar aliados.
Fora do Acre tínhamos algum oxigênio. Os amigos ambientalistas e admiradores do Chico denunciavam, acionavam as autoridades federais, mas no estado o ambiente institucional era de violência e desmando, misturado a interesses que viam a derrubada da floresta e sua transformação em pastos e fazendas como a forma mais rápida de lucrar com a “colonização” da Amazônia.
Cheguei a São Paulo, fiquei na casa de parentes, em Ribeirão Pires. No dia 22 de dezembro de 88, fui à primeira consulta com o naturopata Adauto Vilhena e saí bem animada. Às dez da noite, o Gilson, primo de meu marido Fábio, ligou de Rio Branco: “Marina, fica calma”. Eu respondi: “Mataram o Chico Mendes”. Ele perguntou: “Como é que você sabe?”. Desliguei o telefone porque não conseguia dizer mais nada.
Fábio e eu demoramos a conseguir dinheiro para as passagens de volta, mas ainda chegamos a tempo de assistir a missa de sétimo dia. A notícia tinha saído na primeira página do New York Times e o colunista Tom Wicker dissera que os tiros que mataram o Chico eram “disparos contra toda a humanidade”. Só então a mídia brasileira despertou para a importância do fato e para o significado daquele seringueiro e de sua luta. Os telefones do PT e do sindicato não paravam de tocar. Eram jornalistas do país inteiro – além da mídia estrangeira – querendo informações sobre o Chico. Tudo se passou como um movimento especular. Só quando nos vimos refletidos no espelho do mundo desenvolvido é que reconhecemos quem nos era de enorme valor.
Se não tivesse saído no New York Times, se não tivesse chegado a Rio Branco uma comissão de parlamentares americanos liderada por Al Gore, para se solidarizar com o movimento seringueiro e a família de Chico, talvez a morte dele tivesse sido apenas mais uma no rol dos assassinatos de lideranças de movimentos sociais que eram – e continuam sendo – rotina sinistra na Amazônia. No próprio Acre, Wilson Pinheiro, a maior liderança extrativista antes de Chico, também foi assassinado. E assim como ele, Ivair Higino, Calado, Elias, e tantos outros.
Com Chico foi diferente talvez por circunstâncias históricas, mas muito porque ele tinha um jeito único de entender o movimento. Sempre como ponte para uma aliança, sempre como forma de atrair diferentes pensamentos e experiências, desde que convergissem no essencial, nos valores. Nisso, foi além de seu tempo. De homem simples, introspectivo, pensativo, transformou-se numa referência impregnada em tudo o que aconteceu depois em termos da relação da sociedade com a proteção ambiental e do significado da Amazônia e de seus povos para o Brasil e para o mundo.
É incrível como temos dificuldade de reconhecer nossos próprios tesouros até que alguém nos diga: “isso não é pedra, é ouro.” Primeiro um olho externo vê e nós nos vemos através dele. O bom é que, 20 anos depois, parece que temos nossas próprias lentes sobre a Amazônia, o Cerrado, a Mata Atlântica e todos os nossos biomas. Respeitamos mais as populações tradicionais, temos mais convicção sobre a importância do Brasil e sabemos que somos uma potência ambiental. Não é o suficiente para revertermos distorções históricas, mas já é um bom começo.
E Chico Mendes antecipou essa visão ao perceber que, na Amazônia, o caminho correto estava na junção da luta por uma sociedade mais justa com a defesa do meio ambiente e do uso respeitoso dos recursos naturais. Ele conseguiu viver e sintetizar dois mundos que naquela época pareciam ter pouco a ver um com o outro: o do movimento social de esquerda, focado na luta sindical pela reforma agrária, e o do ambientalismo, com sua visão global de processos ecológicos e de proteção dos ecossistemas.
O Chico foi apropriado pela sua causa, assim como Luther King, Gandhi, Mandela o foram pelas suas. E todos tiveram em comum a capacidade de escancarar novas maneiras de ser e de agir, projetando o futuro na prática. Acredito em valores morais e universais e também que eles são objeto de descoberta tanto quanto as fórmulas científicas. Só que são descobertos em nosso coração em primeiro lugar, depois vêm para a razão.
As pessoas que fazem a diferença no mundo são aquelas que se orientam pelo coração e por valores, não aquelas que simplesmente fazem coisas. Sem isso, ninguém suportaria trinta e tantos anos em uma cadeia, como o Mandela, e sairia de lá íntegro, pronto para retomar a sua luta. E certamente também foi por algo muito maior que Chico Mendes recusou o convite para refugiar-se nos Estados Unidos como forma de se proteger das ameaças de morte. Ele respondeu que seu lugar era “com os companheiros”.
Os assassinos de Chico Mendes pretendiam desconstituir o movimento social, dar o tiro de misericórdia na resistência dos seringueiros, acabar com as incipientes tentativas de proteger a integridade da floresta. Não deu certo. Vinte anos depois, Chico continua “com os companheiros”, que carregam em si os ensinamentos e os valores do seu grande líder e os espalham por onde passam, nas suas ações, na suas vidas, nos seus sonhos.
Artigo publicado no site da Terra Magazine
ZAMBA PARA NO MORIR
Zambas, Chacareras, Bailecito todo o folclore Argentino é maravilhoso. Mas uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, e tem muitas outra coisas dentro dessas coisas. Hahaha.. Chacarera de las Piedras é uma Chacarera, de Atahualpa Yupanqui, um das maiores pessoas que já passou por este continente, que registrou e criou muitas músicas do folclore não só argentino como Latino Americano. Que tão belamente Canta Mercedes Sosa. Chacarera se dança
sem o panuello ( lencionhos lindos). Já a ZAMBA dança homens e mulheres com lencinhos... e é tão , tão lindo. Quem nunca viu, e nunca dançou, vale a pena... é um acontecimento na alma.
Deixo aqui a letra de uma Zamba que eu particularmente gosto muito. E o interesse, eterno de sempre trocar e divulgar essas maravilhas das culturas , populares, de nosso continente.
http://www.youtube.com/watch?v=zvlHZmaFQ3Q
Romperá la tarde mi voz
Hasta el eco de ayer.
Voy quedandome solo al final
Muerto de sed, harto de andar.
Pero sigo creciendo en el sol,
Vivo.
Era el tiempo viejo la flor,
La madera frutal.
Luego el hacha se puso a golpear,
Verse caer, solo rodar.
Pero el árbol reverdecerá
Nuevo.
Al quemarse en el cielo
La luz del día, me voy
Con el cuero asombrado me iré
Ronco al gritar que volveré
Repartido en el aire a cantar
Siempre.
Mi razón no pide piedad
Se dispone a partir.
No me asusta la muerte ritual
Solo dormir, verme borrar.
Una historia me recordará
Vivo.
Veo el campo, el fruto, la miel
Y estas ganas de amar.
No me puede el olvido vencer
Hoy como ayer siempre llegar.
En el hijo se puede volver
Nuevo.




