28 julho 2009

Janela sobre a Palavra (VII)

Estava preso fazia mais de vinte anos, quando a descobriu.
Cumprimentou-a com um gesto da mão, da janela de sua cela, e ela respondeu da janela de sua casa.
Depois, falou a ela com trapos coloridos e letras enormes.
As letras formavam palavras que ela lia de binóculos.
Ela respondia com letras maiores, porque ele não tinha binóculos.
E assim cresceu o amor.Agora, Nela e o Negro Viña sentam-se costas contra costas.
Se um se levantar o outro cai.
Eles vendem vinho na frente das ruínas da cadeia de Punta Carretas, em Montevidéu.
Eduardo Galeano. in Palavras Andantes.

2 comentários:

Dani disse...

lindo!

... disse...

viva o amor, que é a maior poesia dessa vida!