21 setembro 2009

Aniversário

Tudo o que me distancia daquela que fui aos quinze é tudo o que me aproxima do que de original havia em mim. Do que vinha de dentro, embora pareça tão exterior, aquele conjunto de atitudes, comentários e risos daquela que fui aos quinze. Aos quinze nunca se é - se está vindo a ser - sem querer me meter no vir a ser xodó dos filósofos. Era mais um algo de se transformar diariamente, de pegar o jeito que a amiga falava para si, de cair na gargalhada, de não fazer nada de útil o dia todo, de ficar cinco horas e meia no telefone com uma amiga, desligar e ligar pra outra, para uma nova conversa, de, tá, 2 e meia. De fumar maconha e enlouquecer, de ver filme cabeçudo, de viajar com uma penca de amigos em qualquer feriado que aparecesse. Tudo beira a nostalgia, bate nas paredes da cabeça que é memória pura, e a gente finge que um dia foi aquele que a gente imagina que a gente foi. Pode não ter sido nada daquilo, mas a minha memória escolheu que fosse assim. Que aquela de cabelo comprido partido ao meio, que cantava Mutantes e os alquimistas estão chegando é algo que faz tão parte de mim quanto o meu cabelo curto de hoje. Aquela que não sabia de si é uma anterior a outra que começa a se familiarizar consigo mesma. Crescer é esquecer coisas e lembrar outras. É sentir saudades da que fui e orgulho de quem sou hoje e medo de encarar o buraco que se mostra aos poucos. Que se revela. Todo aniversário me sinto só. Que é algo que diz respeito a mim e só. Mas sempre sinto a necessidade gigantesca de ter muitos por perto.

2 comentários:

Daniel disse...

puts, é mesmo... e que esse fingimento não pare.

blog em festa, parabens sô e ju!

Chico disse...

Todo aniversário eu penso no que os outros 9 de Maio estão fazendo. Dos 8 aos 80.