30 setembro 2009

Às Mãos de Guayasamín

http://spb.fotolog.com/photo/27/23/75/guiioncon2i/1208891372_f.jpg Las Manos de La Protesta

O Brasil é um país lindo.
Sue beleza, sua riqueza, sua cultura, se somadas ao seu charme, podem até atribuir-lhe um status de Partidão!
Mas essa riqueza sim nos danou e dana. Justo por ela somos tão amaneiradamente cegos. Vamos comprar legumes e frutas la nos confins do Ceasa (ou Ceagesp, pros mais espertinhos), e nem notamos a suculência do pomar do nosso vizinho.
Ja julgamo-nos com o bucho cheio, completos e íntegros, e isso fomenta o nosso pedantismo ao virarmos as costas para os outros nózes, que, irmãos, dividem com nosotros um esse continente. É verdade que um baião-de-dois enche prá lá a pança, mas vamos por isso deixar de provar um maravilhoso peixe ao molho ácido de limão, marinado desde a noite anterior?
Se nos falta algo, fechamos os olhos e vamos sem balbucear buscar referências la na puta que o pariu da Europa, ou na ''América''. (América?). O quê, planteio, não é de fato mau, eles são realmente o palco do mundo, o ponto de referência, e sua cultura é sim rica e encantadora, mas eu digo que estamos xispando de algo tão encantador quanto. Se não mais.
O Brasil é, mas de muito longe, o país mais apartado da América Latina.
A cultura latina não está aí, ela sim sempre esteve, forte, rica, desafiadora, abundante e maravilhosa; e nós, assim como o resto do mundo é que a ignorávamos.

Não me delongo. Afinal, estou aqui pra falar desse cara. Oswaldo Guayasamín fez parte do tão grande Movimento Modernista Latino-Americano, que não brasileiro. Sim, ele foi imenso e intenso tambem fora do Brasil, especialmente no México, onde José Orozco, Diego Rivera, David Siqueiros, com o seu Muralismo, e a própria Frida Khalo fizeram miséria. Enquanto isso, no Equador, Guayasamín modernizava a banca. Sempre denunciando o absurdo tratamento que o Homem dá ao próprio Homem, pintou desde seus oito anos de idade sem parar, até o último ano de sua vida, 1999. Por isso sua obra, tão extensa, é dividida em várias fases; essas mãos, que me chamaram atenção à sua obra, fazem parte de um período chamado ''La Edad de la Ira''. Todas são de enorme formato. Imaginem.

E reparem como as mãos podem ser extremamente expresivas. Muitas vezes mais que um olhar ou mesmo um rosto todo.
Afinal a mão é uma extremidade, é pra onde confluem muitíssimas forças, se por querência, a ela forem direcionadas. E uma extremidade muito versátil, ou seja: transforme a sua mão no que você quiser!

Guayasamín, pra mim, captou essa expressividade em sua essência.


http://3.bp.blogspot.com/_3_86s9ZxbjM/SdaeusRcieI/AAAAAAAAACs/fgRkr4a7ySA/s320/manos+de+la+ternuraa.bmp


http://luigi.nomadlife.org/uploaded_images/guayasamin-715691.bmp


http://4.bp.blogspot.com/_KbyOsV701PI/SgSy0cIcAcI/AAAAAAAAAZg/bKA7WgaV7bY/s320/Las+manos+insaciables.JPG


http://2.bp.blogspot.com/__5Q0syQpSyw/SKSNpkgtPdI/AAAAAAAAAO8/PySeL4Sy6lI/s320/Guayasamin.jpg


http://2.bp.blogspot.com/_owC693Z26LA/R546sstH4WI/AAAAAAAAAPg/t5bf2B2Bwfg/s200/guayasamin%2Bmanos%2Bde%2Bla%2Besperanza.jpg

Mas isso realmente não é nada, quem gostou pode procurar mais no sítio dele: http://www.guayasamin.com/pages/index.html


p.s.: y desculpem a qualidade das imagens, no site elas estão com certeza muito melhores!

7 comentários:

... disse...

o problema da falta de interesse do brasileiro pelo resto do continente não é só porque temos nossas maravilhas... é antes, porque estamos acostumados a não pensar, na história e percorrermos distancias gigantescas sem nunca depararnos com uma fronteira. Somos quase 47 por cento do continente....e bem alienados até mesmos de nós mesmos. Mas as vezes eu penso, que o povo não é curioso nem com a história da própria mãe, quem dirá em pensar em coisas para alem das fronteiras do que é gigante! mas sim, a arte talvez possa vir a emocinar o povo, que buscaram aprofundar seus olhares, seus horizonts.

Coh disse...

e pior que esse alerta não é só para o povo. É tambem, mas é principalmente para os meio intelectuais, meio de esquerda, que sim se interessam por cultura e pela arte, e ainda assim padecem dessa cegueira incrivel. Enfim, me perece que somos um país inteiramente cego.
Pensemos então, reparemos no nosso arredor, se somos 47 por cento, imagine o que não tem nos outros 53...

Lucas disse...

O tratado de Tordesilhas nunca acabou. Ainda tem uma linha dividindo essa América.
E, sinceramente, não valorizamos nem o que temos no Brasil, imagina em relação aos nossos hermanos.
Temos muito a ver com todos os nossos vizinhos. America Unida!

Daniel disse...

valeu có pela bela estreia! deu até vontade de escrever tambem. bora fazer a nossa parte! lindos quadros.

Coh disse...

jajaja, Kómun Tirilipz?? Isso me cheira a Scandurga!
E é isso ai, América Latina! É a Latinália, hermandade!

Chico disse...

Acontece que viramos os Estados Unidos do Sul.

Bienvenido Tiriliptz.

Lucas disse...

Dá-lhe Có!
Surpresa das boas!!!